quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Crônica de Everaldo Teixeira - Professor do C. E. 10 de Maio representa Itaperuna em livro de Niskier



RECORDAR É VIVER:


A ITAPERUNA DOS ANOS 60

Everaldo Francisco Teixeira



TUDO COMEÇAVA COM UM APITO, um som estridente, cortando a cidade e numa cadência de “café com pão” lá vinha a Maria Fumaça empurrando a todos sem pedir licença, passava com sua imponência jogando fumaça para todos os lados. Correndo em direção a outras cidades.

Era bonito presenciar esta força bruta como meio de transporte, mesmo todos pagando um preço pelas longas viagens que se tornavam cansativas. Uma viagem de Itaperuna ao Rio de Janeiro durava um dia inteiro. Todos prestavam atenção à passagem do trem, ao passar pelo centro, pela ponte e ao cortar chão afora, “Café com pão... Café com pão... aé seu maquinista”. E ia o trem jogando fumaça, fazendo barulho, e mexendo com todos.

A Itaperuna dos anos 60 tinha esse trem que por duas vezes passava pelo centro da cidade. Centro este que tinha uma iluminação fraca e que à noite criava um ambiente calmo e tranquilo, a iluminar casas muito antigas. Uma avenida com três pistas e muitas árvores, onde pardais faziam a festa e de vez em quando o lacerdinha se tornava o terror de todos.

Tempo gostoso, tempo em que as coisas aconteciam lentamente e que deixavam marcas que existem até hoje. Tempo que para se comprar um litro de leite era preciso levar um vasilhame. Tempo que um desfile de 10 de maio era uma festa para todos. Basta dizer que quando a banda do Colégio Estadual 10 de Maio, comandada pelo Maestro José Carlos, chegava ao Colégio Bittencourt, lá na rodoviária antiga, ainda estavam entrando pelotões de alunos para desfilar. Tempo em que a Rádio Itaperuna fazia a festa para os ouvintes e Geraldo Guimarães era sinônimo de qualidade e audiência. Tempo em que o Colégio Bittencourt, na figura do Dr. Jair Bittencourt comandava, na cidade, a educação. Tempo em que um bom café significava ir ao café Oliveira, uma compra de material escolar significava ir à Folha Nova e uma loja como a Seleta era a preferida por todos.

Tempo que quando a tarde caía, as pessoas buscavam suas casas e na linha do horizonte o sol se punha e um vento gostoso, uma brisa,criava o ambiente propício para que centenas de pardais fizessem no céu de nossa avenida principal um balé improvisado, das 17 horas em diante. Pardais que em movimentos rápidos e bruscos cortavam o céu, em todas as direções. Nestas horas, os jovens com mais tempo e criatividade, faziam um céu multicolorido de pipas, que enfeitavam com mais alegrias as nossas tardes de verão, em época de muito vento. E onde andam as pipas, as peladas, o banho de rio, o pião e muitas outras brincadeiras no mundo moderno?

Em termos de divertimento nos finais de semana, tínhamos o ITC e dois cinemas, um na General Osório e outro onde é o Edifício Rotary. Tempo das matinês, das pipocas e das trocas de gibis. Um bom garoto que se prezasse não ia para o cinema sem gibis para troca. Gibis como Tarzan, Flecha Ligeira, Zorro, Batman, Superman, Mickey e o Mandrake que faziam a festa de todos. Nesta época uma revista em quadrinho(GIBI) era classificado como anti-cultura e nocivo à formação de um adolescente. Era uma barra ter um gibi.

Movidos a pipocas, e atentos com os olhos, começava a sessão, fosse a aventura policial ou cowboy, tudo era uma descoberta. Neste tempo, ir ao cinema era um ritual e havia um certo prazer que nos dias de hoje está morrendo. O Cine Santa Luzia, inaugurado em 1964, era um ambiente chique e que atraia todos os segmentos da sociedade levando cultura e divertimento.

Sempre existia ao final de cada sessão, um pequeno filme de suspense que prendia a atenção de todos e nos obrigava, na semanas eguinte, a não faltar para ver como o mocinho escapava das armadilhas mais fantásticas que se podia imaginar. Eram seriados de botar inveja nos olhos de Indiana Jones.

Era um tempo gostoso e a vida era mais fácil. Itaperuna, com as características que lhe eram peculiares agasalhava a todos os seus filhos e com seu ar de cidade do interior, pacientemente esperava seu momento para se transformar no que é nos dias de hoje.

Aqui, ao cair da tarde em Itaperuna, um trem cortava a cidade, um apito era o sinal de sua chegada, um relógio preciso que marcava o tempo.

Por muitos anos fez este trajeto, até que em 1973, numa tarde,passou bem devagar e triste, como se estivesse fugindo e chorando e num último apito deu seu grito de adeus... E NUNCA MAIS VOLTOU.


Professor -- Everaldo Francisco Teixeira.



Professor de Filosofia e Sociologia.




Orientador Educacional.

Escritor.

Pesquisador em Astronomia e Física.

Twitter - everaldoft

Fonte:http://outrarevista.blogspot.com/2011/08/recordar-e-viver-everaldo-f-teixeira.htm
Outra postagem sobre o mesmo assunto:

Crônica de Everaldo Teixeira representa Itaperuna em livro de Niskier
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Guilherme Carvalhal - ex aluno do C.E. 10 de Maio lança Livro - 25/08

Lançamento do romance “As Trigêmeas”



Será lançado no dia 25 de agosto, às 19h, no auditório do Centro Universitário São José, em Itaperuna, o livro “As trigêmeas”, romance de estreia do escritor Guilherme Carvalhal. O romance está sendo lançado pela Editora Multifoco. O Centro Universitário São José fica na Rua Major Porfirio Henriques, 41, Centro.

O livro conta a história de três irmãs, Agali, Roberta e Josélia. Cada uma delas tem sua própria personalidade e enfrenta problemas particulares. Agali será mãe e desconhece o pai de seu filho, Josélia apanha do marido e Roberta foi expulsa de casa ainda durante a adolescência. Cada uma destas histórias está envolta em conceitos como liberdade, individualidade, solidão e medo.

A proposta do autor é fazer uma analogia com o mundo real através da apresentação de cada uma das personagens. Pontos como o conflito na sociedade brasileira entre modernidade e arcaísmo, o excesso de liberdade e a falta de referência e o individualismo que leva à solidão.

De acordo com o autor, a ideia do livro é propor ao leitor uma reflexão sobre o mundo atual. “Este romance é uma tentativa de fazer uma leitura crítica da realidade dos dias de hoje”, diz.

A história começa quando o irmão mais novo de Agali, Roberta e Josélia desaparece. Em meio ao desespero do que terá ocorrido com ele, começam a aparecer todos os problemas existentes dentro desta família, passando por assuntos como solidão, tristeza, falta de perspectiva, etc. Os conflitos existentes entre os personagens são expostos e formam a narrativa desta história.


Fonte:http://outrarevista.blogspot.com/2011/08/as-trigemeas-romance-de-guilherme.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A MARCA DO AMOR

Um menino tinha uma cicatriz no rosto, as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado, na realidade quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia.

Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio, o professor levou o caso à diretoria do colégio.

A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o menino do colégio, e que conversaria com o menino e ele seria o último a entrar em sala de aula, e o primeiro a sair, desta forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhassem para trás.

O professor achou magnífica a idéia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais para trás.
 Levado ao conhecimento do menino da decisão ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição:

Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o porquê daquela CICATRIZ.

A turma concordou, e no dia o menino entrou em sala dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar:

- Sabe turma eu entendo vocês,
  na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:

- Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa minha mãe passava roupa para fora, eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade...
A turma estava em silêncio atenta a tudo. O menino continuou: além de mim, havia mais 3 irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida.
Silêncio total em sala.
-... Foi aí que não sei como,
a nossa casa que era muito simples, feita de madeira começou a pegar fogo, minha mãe correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora, havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente...

Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar,
pois minha mãe tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama.
Só que quando minha mãe tentou entrar na  casa em chamas as pessoas que estavam ali, não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha, eu via minha mãe gritar:

- " Minha filhinha está lá dentro!"
Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava,
mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha...

Foi aí que decidi.
Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar.
Saí de entre as pessoas, sem ser notado e, quando perceberam, eu já tinha entrado na casa.
Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha.
Eu sabia o quarto em que ela estava.

Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito...
Neste momento vi caindo alguma coisa, então me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto...

A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada então o menino continuou:
-Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha me beija porque sabe que é marca de AMOR.

Vários alunos choravam,
sem saberem o que dizerem ou fazerem, mas o menino foi para o fundo da classe e imovelmente sentou-se.

Para você que leu esta história,
queria dizer que o mundo está cheio de CICATRIZ.            
Não falo da CICATRIZ visível, mas das cicatrizes que não se vêem, estamos sempre prontos a abrir cicatrizes nas pessoas, seja com palavras ou nossas ações.

Há aproximadamente 2000 anos JESUS CRISTO,
adquiriu algumas CICATRIZES em suas mãos, seus pés e sua cabeça.

Essas cicatrizes eram nossas, mas Ele, pulou em cima da gente, protegeu-nos e ficou
com todas as nossas CICATRIZES..

Essas também são marcas de AMOR.

Enviado por Valéria Cristina Macedo
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

MENSAGEM


"O homem é o único animal que cospe na água onde bebe;
que mata para não comer;
que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos;
por isso, está se condenando a morte...".

(Palavras do Velho do Rio)
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domingo, 17 de julho de 2011

C.E.10 de Maio - Breve Histórico

O Colégio Estadual 10 de Maio completou 80 anos em 2008. Sua história, intimamente ligada à tessitura histórica do município de Itaperuna, confunde-se com a história pessoal da maioria dos itaperunenses que tiveram a felicidade de transitar por seus corredores e adentrar suas salas de aula. É uma história de muitos protagonistas: alguns se projetaram socialmente, elevaram o nome de Itaperuna e o inseriram no contexto nacional, quiçá, internacional, nas mais variadas áreas de atividade, outros, anônimos que a história oficial não registra, fazem também a história do colégio, pois, por ele passaram e usufruíram de uma formação em valores, preocupada com o respeito à dignidade humana, com a competência e a efetiva formação cidadã, sempre eivada de comprometimento e profunda dedicação de seus mestres.
Teve sua origem com a criação do Grupo Escolar 10 de Maio, no dia 26 de fevereiro de 1928 e do Ginásio Marechal Deodoro da Fonseca. Em 1956, foi criada a Escola Supletiva 10 de Maio anexa ao Grupo Escolar 10 de Maio e Escola Supletiva Paulina Porto através no dia 10 de maio de 1956. Em 1957 foi criada a Escola Normal Estadual, marco na educação da região, visto que até então, a formação de professores só era possível na rede particular de ensino.
A mudança de nome para Colégio Estadual Marechal Deodoro da Fonseca e a autorização da divisão de Ensino Secundário do MEC para o Segundo Ciclo são concedidas no dia 1º de dezembro de1961. Em 10 de setembro de 1970, são integrados ao Ginásio Marechal Deodoro da Fonseca, o Colégio Estadual 10 de Maio e o Jardim de Infância Maria Madalena Magacho dos Santos. Posteriormente, ocorre a integração da E. E. 10 de Maio, da Escola Estadual do Ensino Supletivo 10 de Maio e do colégio Estadual Marechal Deodoro, passando a denominar-se C.E. 10 de Maio.
Atualmente, o C.E. 10 de Maio oferece o Ensino Fundamental (1º ao 9º ano de escolaridade), o Ensino Médio, o Pós-Médio com o Curso Técnico em Contabilidade e o EJA (Educação de Jovens e Adultos) do 6º ao 9º ano e Ensino Médio. Conta com uma clientela advinda dos mais diversificados ambientes sociais, a escola esforça-se por dar conta desse caldeirão de culturas, levando em conta que, sem desprezar a cultura do aluno, fazer dela a ponte entre o que já sabem e os conhecimentos científicos socialmente construídos e universalmente aceitos, para que diante dessa confrontação, o aluno possa construí-los subjetivamente em benefício de seu projeto de vida, marcá-los com o traço de sua personalidade e inserir-se na sociedade de forma cidadã.
Atualmente a equipe de direção da escola é composta pelas professoras Maria Inês Freire Borges Figueira, Diretora Geral; Silvana Moreira Ferreira, Solange Alberoni Amil de Oliveira, Rosiméa Fernandes Navarro Nuss, Diretoras Adjuntas, além de outras equipes de assessoramento e um corpo docente que ao longo de toda a sua história, vem mantendo a qualidade do ensino ministrado.

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Fonte: Revista Canal da Cultura n° 2/ junho 2009.
Este texto foi escrito para a Sessão Solene dos 80 anos do C. E. 10 de Maio na Câmara Municipal em 24 de março de 2008 e foi incluído na publicação do livro "Colégio Estadual 10 de Maio em Prosa e Verso". O nome completo da autora é:
Marly Aparecida Carvalho de Mattos.

 Disponível em:  http://www.outrarevista.blogspot.com/


"Escola é: o lugar onde se faz amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos..."
Paulo Freire
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sexta-feira, 8 de julho de 2011

O leão e o ratinho ( Millôr Fernandes)

Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher, e esta lhe dissera poucas e boas. Eis que, subitamente, o leão defronta com um pequeno rato, o ratinho menor que ele já tinha visto. Pisou-lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente para fugir, o leão gritava:
             - “Miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato!”. E soltou-o.
             O rato correu mais que pôde, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão:
             - “Será que V.Excelência poderia escrever isso pra mim? Vou me encontrar com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso pra ela com as mesmas palavras!”.


Moral: Afinal, ninguém é tão inferior assim.
Submoral: Nem tão superior, por falar nisso.

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terça-feira, 28 de junho de 2011

Paz no Trânsito


A Professora Ana Maria Antunes gentilmente nos enviou estas fotos do belo trabalho realizado por alunas da turma 2004 - Ensino Médio- C.E 10 de Maio.
Maquetes confeccionadas por:

1- Kamila Chaves Von Held
2- Kathleen Vieira Pimenta
3- Jeniffer Renata Campos

Prof.: Ana Maria Antunes turma 2004
Parabéns!